quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Colóquio de moda parte 3 - Em busca de novos sentidos

Moda e consumo: Inventando sentidos e produzindo felicidade.


 




A temática me interessou desde início já que trabalhando com moda tenho observado os desejos dos consumidores e a produção de sentidos através da linguagem .Isso implica na manutenção do desejo pelo novo.
Dando continuidade ao artigo visto anteriormente, este trata da felicidade como um bem a ser adquirido pelo consumidor  que compra no produto a sua felicidade mesmo que , momentânea , e  logo apos adquirir o produto  esta felicidade se dissipe antes do seu valor simbólico. Para que o produto seja adquirido pelo consumidor e necessário que a marca forme um cenário que atinja os desejos deste consumidor , aguçando os seus sentidos e movendo os seus desejos em direção ao produto. De forma que através do consumo uma formação simbólica individual se efetive. Segundo ( Machado, 2010 ):

"Atualmente, a inovação tem estado presente mais na construção de um novo sentido para as coisas do que, propriamente, na invenção de coisas absolutamente originais..."

A autora neste artigo dialoga com as releituras ; os new punks , news para todos os estilos "que do passado sofreram uma releitura contemporânea e conseguiram se relançar como o novo revisitado."
Porém, segundo a autora estas definições já não emocionam tanto o quanto ja emocionaram , por isso se faz necessário um grupo de profissionais capazes de redimensionarem os sentidos com novas abordagens que não se limitem apenas as disciplinas da moda, cabem ai considerar cineastas, sociólogos, antropologos, artistas , estudiosos da semiótica entre outros pensadores que traduzam a moda pelo viés de sua multidisciplinaridade  , constituindo um olhar que dará uma perspectiva multi facetada  , fazendo assim , uma ampla leitura da complexa cultura de moda.
Na medida em que a informação esta presente na vida de todos nós através da Internet e cada vez mais portátil , o acesso a informação pela a rede e pelos códigos digitais torna-se acessível a todos e com muita velocidade , trazendo para o mercado de moda, no caso a urgência de novos agentes  produtores de sentido que saibam ler e identificar novos códigos e necessidades individuais.- Levando em conta que eles podem fazer surgir novos códigos que não são disponíveis a todos, porém, por um curto espaço de tempo, ate que possa ser consumido em grande escala.
Os maiores produtores no mercado da moda,  no momento contemporaneo são os produtores de sentido, pois estes alimentam a subjetividade do indivíduo e o coloca em sintonia com os seus desejos "produzidos/ produtores."
No entanto torna-se necessário para o consumidor em meio a tanta informação um alivio para o seu olhar entorpecido para uma visão que contemple o inusitado . Neste sentido a moda como sistema alimenta-se do olhar dos produtores de sentido para que gere novas imagens ,novos olhares e novas formas .


"Nízia Villaça destaca que a cultura da moda desenvolveu “estratégias menos óbvias para dar conta de um novo sistema com as suas múltiplas partes componentes em feérica troca e negociação”. Citando a teoria de Featherstone, Villaça observa o fato dos consumidores não adotarem mais “um estilo de vida por hábito, mas como projeto”

Para finalizar ela destacou as diferenças entre o consumo na sociedade moderna e na sociedade contemporânea:

Sociedade Moderna                            /                          Sociedade Contemporânea

Consumo como possibilidade                                     Consumo como direito
Comunicação explicativa                                            Comunicação constitutiva
Consumo de massa                                                    Consumo de nicho
Estilo de vida como hábito                                          Estilo de vida como projeto
Inovação dentro das fabricas                                      Inovação fora das fabricas,
                                                                                  Marketing, redes sociais
Consumo como conforto, utilidade e funcional             Felicidade como necessidade 
                                                                                     Cotidiana
Felicidade como projeto de uma vida                         Reencantamenteo do cotidiano
                                                                                 Através de objetos extraordinários


Este artigo é indispensável !
Leiam!

file:///D|/artigos/72918%20Moda%20e%20consumo%20-%20inventando%20sentidos%20e%20produzindo%20felicidade.pdf

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Colóquio de moda- parte 2- Alinhavando o hedonismo


Sociologia da Moda: Distinção social e o individualismo hedonista no consumo de moda contemporâneo


 


A apresentação foi de Aline G. Hellmann, mestre em sociologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Sendo ela ex vendedora de marcas como a Forum e  Le Lis Blanc,  ela analisou o que o consumidor busca como bem de consumo na moda hoje. Comentou um pouco sobre a sua jornada de pesquisa e disse que quando se referiu a moda como um assunto passível de ser estudado, sofreu preconceito em relação a seriedade do seu trabalho. A moda ainda sofre preconceito , sendo as vezes analisada com o estereótipo de futil e desnecessário, mas nós que estudamos este assunto sabemos que a moda é um fenômeno social de comportamento, consumo e expressividade muito importante para o desenvolvimento da linguagem e da subjetividade do sujeito.
Os pontos abordados por Aline Hellmann abordaram a moda como um foco de busca pelo prazer dos sentidos e do novo , trazendo a estetização da vida cotidiana por meio do consumo não apenas do produto , mas das emoções e da valorização dos sentidos dando uma nova tragetória para a publicidade e marketing de moda. Hoje o indivíduo já não busca a distinção social como na modernidade, mas sim a busca de sua individualidade e a lapidação de tal através da satisafação dos desejos , valores e necessidades. Ela procurou expor dentro de uma analíse indutiva os motivos que levam o consumidor a compra tomando suas decisões e formando opiniões. Com isso ela analisa o caso da busca do consumidor por objetos vintage se apoiando no autor Don Slater (2002), a segunda sessão ela recorre a Colin Campbell (2001) para refletir sobre as características do hedonismo contemporâneo citando como exemplo um caso da Le lis Blanc e a terceira seção utiliza os trabalhos de Mary Douglas e Baron  Isherwood (2004), bem como do próprio Gilles Lipovetsky (2008), para relacionar as novas dinâmicas de consumo ao mundo da moda e apresenta o 
caso da OSKLEN.

Para saberem mais leiam em:
Vale a pena ler o artigo!
file:///D|/artigos/70887%20Sociologia%20da%20Moda%20-%20distincao%20social.pdf




                                         Sisley: luxo é uma droga cara.



                                            

domingo, 19 de setembro de 2010

Coloquio de moda - Resumos e alinhavos.- Parte 1


Aconteceu em São Paulo entre os dias 12 a 16 de Setembro o 6 colóquio de moda da faculdade Anhembi Morumbi, o evento é um dos maiores e de maior referencia no Brasil, onde profissionais, pesquisadores e pensadores da moda se reúnem para discutir a moda sobre diversos aspectos, áreas como a sociologia esteve presente com  pesquisadores que apresentaram trabalhos abrangentes onde o comportamento coletivo foi tratado sob a perspectiva de moda. Estive presente e irei contar aqui no blog a partir de hoje tudo o que captei nas palestras de dissertações, mesas, debates, lançamentos de livros que serão referência para quem busca um novo olhar. O evento visa a importância do conhecimento acadêmico para refletir a moda e através dele descobrir novos desdobramentos que inscitam a reflexão sobre o corpo, subjetividade, comportamento, consumo, entre outros assuntos que incluem a moda em um leque de referencias conceituais alem de si mesma. Profissionais de peso, fizeram apresentações excelentes e confesso que sai de lá com o olhar renovado. O conhecimento de moda , a pesquisa de campo, identidade de moda , preconceito, consumo infantil foram assuntos recorrentes que deixaram  questões para serem pensadas no cotidiano da moda. É interessante ver neste tipo de evento o quanto a teoria e a prática caminhando em sincronia na moda nos fornece ferramentas para descobrir novos meios criativos para o design, novas maneiras de ler o comportamento e o mercado, para que pensando juntos possamos visualizar  resultados hibridos no produto e na construção de novas subjetividades.

Durante os quatro dias de evento, especialistas  abordaram assuntos como Moda e Redes Informacionais; Moda, corpo e tecnologia; O “pensar design”; Moda e mercado; Éticas corporais; Moda no contexto urbano; a Moda inserida em acervos e museus; entre outros. Entre os especialistas brasileiros estiveram, Silvana Holsmeister, da Revista Vogue; Geni Ribeiro, da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT); Luis Fernando Antonio, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; Lucia Santaella, da Pontifícia Universidade Católica (PUC); Mariana Rocha, da Faculdade Santa Marcelina; Rachel Zuanon, da Universidade Anhembi Morumbi; Rosane Preciosa lançando seu maravilhoso livro que estou lendo e falarei sobre ele aqui.
Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Universidade de São Paulo (USP), o Colóquio reuniu também representantes de instituições de ensino e entidades estrangeiras como Andrea Saltzman, da Universidade de Buenos Aires (Argentina); Mário Mattos Ribeiro e Inês Simões, da Universidade Técnica de Lisboa (Portugal); Danilo Cañizares, do IXEL Moda (Colômbia); Enrico Cietta, da Diomedea (Itália); Barbara Trebitsch, da Domus Academy (Itália); Nanni Strada, do Studio Nanni Strada (Itália); e Chiara Colombi, Politécnico de Milão (Itália).
Vamos conferir nos próximos dias tudo o que rolou por lá!

Samanta Marinho

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Referência musical - Musica de brinquedo


 E se tudo fosse verdade e ao mesmo tempo de brinquedo???

Não costumo falar muito de musicas, lançamentos de Cds neste blog mas impossível não comentar o novo album da banda mineira Pato Fu . O nome do CD é Musica de Brinquedo, nome escolhido por toda estética musical desenvolvida com instrumentos musicais de brinquedos e vozes infantis que deixam o Cd todo simplesmente encantador , flauta, xilofone, kalimba, escaleta, piano infantil, glockenspiel de latão, kazoo de plástico e outros brinquedos são ultilizados e o resultado é um som um tanto  metálico como é de costume nos instrumentos de brinquedo mas muito bem trabalhando deixando um resultado limpo mas com um tom experimental. A doçura das vozes infantis fazem deste CD um carinho para os nossos ouvidos!As músicas são regravações que passam por compositores como Zè Ramalho, Beatles, Roberto Carlos, Tim Maia de uma maneira jamais ouvida. Como amo releituras e sei que o Pato Fu faz muito bem fui conferir , acredito na independência artística da banda e admiro a coragem de inovar em uma linguagem e pesquisa que a banda vem investindo a um tempo . Além disso o comprometimento em divertir, a banda ,as crianças e os adultos é muito bem vinda!!


No link o vídeo do making of do disco explicando todos os prós e contras de propor um projeto como este:

 .http://www.patofu.com.br/musica-de-brinquedo/videos/

                                             Capa do Cd
 A banda já está ensaiando para começar a tocar em turnês, aguardaremos com carinho!
Estas são as músicas que encontraremos no novo CD:

Músicas:
01. Primavera (vai Chuva)
02. Sonífera Ilha
03. Rock And Roll Lullaby
04. Frevo Mulher
05. Ovelha Negra
06. Todos São Surdos
07. Live And Let Die
08. Pelo Interfone
09. Twiggy Twiggy
10. My Girl
11. Ska
12. Love Me Tender


Ouçam!Vale a pena!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A moda e os sujeitos possíveis

                                                     Amanda Palmer e seu estilo original  pautado em sua identidade e comportamento. Adorada pelo seu despojamento, rebeldia, sensibilidade musical e comportamento excêntrico.

O contemporâneo é o cenário de surgimentos onde o homem se reinventa a cada dia sugerindo e provocando novas identidades. Tenho pensado ultimamente na maneira fácil que escolhemos um estilo pronto e seguimos impensadamente a moda apenas consultando manuais e revistas a procura de uma referência que nos salve da mesmice estética. E assim caminhamos em seguida nas ruas e encontramos centenas de referências como a nossa , pois na mesma cartilha que escolhemos a nossa lição, milhares de pessoas escolhem a mesma lição, cor , modelo, forma, maneiras, indicações de como estar na moda, estar por dentro, fazer parte , pertencer a determinado grupo. Não estou aqui para dizer que estas coisas não são importantes, mas para refletir até que ponto é possível se intitular original colhendo referências prontas, sem modificações ou um pingo de autoria. E quem está construindo um estilo fica a pergunta: Você quer ser original realmente? Pois ser original carrega consigo o valor ou a desvantagem de ser diferente , tudo depende do contexto em que você se encontra ou melhor: A escolha que você faz pra si. Só penso que pessoas que trabalham com criação deveriam arriscar um pouco mais pela originalidade pois creio eu que assim se é permitido ver as coisas de uma maneira não usual, nem condicionada. Porém é preciso arriscar o olhar e até mesmo o erro para experiênciar uma nova estética.
Vivemos em um mundo :

“...onde o fundamental é saber identificar qual memória acessar para descobrir o que se quer saber [Jean Lyotard]”


Através do corpo construímos nosso referencial, experimentamos sensações e vivencias através do vestir, sintonizamos a nossa subjetividade com o objeto e nos construímos dando sentido a este corpo. Esta tarefa torna-se uma investigação cotidiana a medida que escolhemos observar quais são os vetores que conduzem a nossa vontade.
Somos bombardeados todos os dias por referências das mais diversas que nos ensinam a vestir, combinar , sermos. Enfim, somos construção do nosso meio, mas também podemos ser criadores de nossa poética. Interferindo no meio de modo a ajudar a construir referências dentro deste. Tarefa para quem escolhe experiênciar todas os meios que exijam ver, desconstruir, reconstruir, experimentar, não seguir. Junto com as tendências existem também as contratendências e estas para alguns representam a oportunidade de vivenciar o diferente o contramoda, contracultura.
Para mim não existe um melhor que o outro ou coisa assim, mas creio que se pararmos de copiar exatamente o que as cartilhas de moda nos mandam podemos ver assim novas possibilidades que farão de nós agentes ativos na arte da invenção de novas identidades e referências estéticas. Mas creio que isso não seja tão fácil assim, pois ser igual e pertencente é confortável e seguro  e ser diferente é um risco de encontrar no caminho a exclusão. Em um mundo de conectividades , relacionamentos em redes virtuais, caberá ao profissional criador encontrar um equilíbrio entre o velho e o novo, lapidando o seu olhar podendo assim encontrar o equilíbrio da balança que levará a sintonia entre a referência individual e coletiva sabendo dialogar no corpo os próprio sonhos , oferecendo ao coletivo uma nova maneira de olhar.


Alexander Mcqueen- Originalidade em suas criações e inspirações.


Bjork- Referência estética e musical pela capacidade de fazer misturas em suas criações , a tecnologia e as referências tribais podem ser vistas em um mesmo trabalho, junto a outras referencias  singulares.




Maffesoli (1996) que denominou a contemporaneidade como mundo imaginal, em razão da força das manifestações imaginárias, simbólicas, aparentes, instituindo a teatralidade como modo de vida. E o lugar primeiro dessa teatralidade é o próprio corpo, que produz uma auto - imagem, conferindo ao sujeito a possibilidade de contar uma história, de afirmar quem é, poderíamos dizer de anunciar-se.



quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Meu estilo hoje!



Hoje uma vontade imensa de sair por ai cantando Clarise Lispector... Criarei uma música com suas frases demasiadamente humanas.

Calça: Depósito
Chapéu: Tendenza
Bata: C&A
Colares, Coração e gotas prateadas: Acervo
Blusa de Moleton: Tendenza
Bolsa: Acervo retrô
Melissa Ultra Wedge Flocada Preta

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Atitude de moda-A velha nova maneira de ser chique...


Depois de algumas estações exibindo tachas, estilo rock, despojado , over, os corpos mais conectados com as ambigüidades da moda se ligam em um referencial que traz de volta a elegância dos anos passados.

A elegância Cool citada por Constança Pascolato na Revista Vogue edição de agosto, nos mostra uma mulher interessada em inspirações provindas dos anos 50 e 60 , onde a impecabilidade do traje desenhava uma mulher feminina, refinada, onde o domínio da silhueta fazem referência ao domínio modernista de linhas clean do início dos anos 60.

O tom de rebeldia e subversão ganham ares impecáveis e definidos, seguindo a regra da linha harmoniosa e romântica, entoando um certo lirismo e dando asas a imaginação. Assim a sensibilidade toma conta desta moda Cool onde o chique é saber lidar harmoniosamente com as formas. Assim garotas individualista e influentes vestem sua nova  atitude e desenham pela moda um designer único e renascido. Um exemplo disso é a designer londrina Charlotte Dellal filha da carioca Andréa e do Inglês Guy Dellal, apontada pela Vogue americana como uma espécie de líder do movimento , vestindo criações hi-lo  ou  hi-hi com a mesma e particular interpretação pessoal e refinada.



O desejo assim se projeta em se vestir com refinamento. Esta é uma tendência vinda de terras distantes , em nosso tropicalismo estonteante de cores ébrias, isso pode receber uma leitura um pouco mais refrescante. Digo isso pois vejo pelas ruas, vitrines, editoriais também um certo ar tecnofuturista que ganha ares de natureza viva!
Mas isso fica para outra matéria.

Nas imagens referências de algumas marcas internacionais para esta tendência do novo chique.
A Miu-Miu escolheu tons alegres e estampas divertidas que remetem aos anos 50 para sua coleção resort 2011. O referencial de estampas são maças, bolinhas, corações.



Já para a Loui Vuitton , o clássico ficou nos anos 50/60 com sobriedade e Glamour Inverno 2011.














A Dolce & Gabbana foi perfeita em sua coleção de inverno 2011 ao retratar Madonna como a dona de casa estilo anos 60. Esta é a minha preferida. Linda!




























A campanha da Dolce & Gabbana é uma das melhores coisas que já vi na moda, isso por que a Madonna  é capaz de se encaixar muito bem em qualquer coisa que ela faz pois além de ser uma mulher incrível ela é uma excelente atriz , cantora, mulher camaleoa. A Dolce & Gabbana soube explorar isso muito bem com o seu DNA e proposta.
Inspiradora sempre!